Nos últimos tempos, no Voluntariado que pratico em Abrigos, tenho tido conhecimento de casos de extrema violência contra animais abandonados ou negligenciados. São situações que me afligem, pois não consigo perceber o que irá na cabeça de certas pessoas para infligir tanta dor-física e emocional a seres que nada têm, mas tudo nos dão se deixarmos. Foi nestas circunstâncias que conheci um elemento de um Grupo de Resgate Animal, o DAP-Denúncia Animal Portugal, que esteve envolvido no resgate da Eva.

A Eva foi internada no Hospital Veterinário do Restelo para tratar lesões físicas, contudo, ao fim de vários dias de internamento, não andava e só comia com ajuda. A equipa Veterinária não encontrava justificação física para que a Eva não andasse e ponderavam a realização de sessões de Fisioterapia. Desloquei-me ao hospital veterinário e uma auxiliar trouxe a cadelinha, ao colo e embrulhada num cobertor. Colocou-a numa marquesa dentro de um consultório. Comecei por lhe fazer festinhas, para que não tivesse receio, pois sabia que lhe tinham feito muito mal. Passados uns minutos, foi como se a cadelinha me estivesse a queixar-se, começou a emitir uns sons, como se me estivesse a contar pelo que tinha passado. Neste anos de voluntariado nunca tinha assistido a nada assim ! Abracei-a e dei-lhe Reiki durante algum tempo.

Após essa sessão, a Evinha abanava o rabinho e estava muito tranquila. No dia seguinte, recebi um telefonema do elemento do DAP, dizendo que a Eva já tinha comido sozinha e andava de um lado para o outro. Fiquei muito emocionada com o vídeo que me enviou realizado cerca de 12 horas após aquela sessão de Reiki A Eva não chegou a fazer Fisioterapia, foi adotada e uns dias mais tarde fui presenteada de novo com um vídeo, que mostrava a Eva muito contente a correr na sua nova casa.

O Reiki aplicado aos Animais tem inúmeros benefícios, mas tem grande sucesso na atenuação de traumas emocionais e medos, resultantes de passados difíceis. Os praticantes de Reiki podem ajudar imenso os Animais, vítimas de violência, negligência e abandono, mas podem ajudar também as pessoas ligadas ao Resgate Animal, que vivem sob pressão constante face às crescentes urgências que são forçadas a atender. Estas pessoas abdicam muitas vezes da sua vida pessoal, para desespero das suas famílias, que nem sempre entendem o que as motiva a andarem “ nesta vida”. Mas quando se percebe que estas pessoas salvam vidas, que de outra forma nunca seriam vividas, quando se vivem estas histórias com final feliz, tudo compensa.

Fátima Cunha Velho