O Reiki bateu-me à porta por diversas vezes e sob diferentes formas…eu hesitei e teimei em abrir. No fundo eu acho que sabia que, um dia, iria permitir-me receber o Reiki e deixar que ele fizesse parte da minha vida…. Foi um caminho. Ele foi-se apresentando calmamente e, aos poucos, foi se tornando cada vez mais presente, como que se aguardasse que eu estivesse preparada para recebê-lo com a dedicação merecida.

De certa forma eu já o havia conhecido ainda que inconscientemente … por momentos vivi sensações e sentimentos que repeti de forma intensamente pura e feliz quando iniciei a prática de reiki. Percorri um caminho até lá chegar… Hoje entendo que tinha de o fazer. E tinha de o fazer para poder recebê-lo na minha vida da melhor forma possível. Precisamos de estar preparados para iniciar a prática de Reiki. O Reiki é lindo, puro, verdadeiro, intenso… Mas até chegarmos à sua essência passamos por diferentes fases, mexemos com recônditos da nossa alma, com dores antigas, com males conscientemente inexistentes, mas silenciosamente contundentes… Tudo vem à superfície. E quando isso acontece, não é fácil: precisamos de ter a coragem de continuar porque faz parte do processo. É como o azeite na água, em que o azeite corresponde a tudo aquilo que devemos limpar para que a água fique limpa. Vamos à profundidade das nossas questões interiores, iniciamos um processo de autoconhecimento onde somos confrontados com todas as feridas não curadas. Nessa altura, devemos estar preparados para tratar a ferida pela raiz, pois só assim a erradicaremos definitivamente ao invés de a adormecer… Se a adormecermos corremos sempre o risco de algo a despertar e o Reiki limpa e cura todas as dores da alma, dores essas que, tantas vezes, se manifestam em doenças físicas.

Aos 26 anos descobri uma doença rara autoimune que durante alguns anos me debilitou e condicionou a minha vida. Passei por tratamentos agressivos, por fortes medicações, por momentos de intensa dor e desesperança… No limite do sofrimento, iniciei um percurso.  Um percurso que fez mudar a minha perspetiva, um caminho de autoconhecimento que me fez crescer imenso como ser humano. Perante a forte possibilidade do fim, renasci e descobri a real essência da vida, a essência do amor e da compaixão, no seu sentido mais límpido e puro.

Durante algum tempo, a magia que a doença me fez descobrir iluminou os meus passos, curou o meu coração e proporcionou-me vivenciar uma fase maravilhosa da minha vida.

Entretanto, melhorei e, estupidamente, deixei escapar essa magia. Entretanto regressei a uma normalidade aspeada. Uma normalidade de momentos bons e outros maus… uma normalidade que cegamente fui aceitando como que se me resignasse a uma vida de 14 comprimidos diários, de dores constantes, de visitas frequentes ao hospital, de limitações e periódicas transfusões ou outros quaisquer tratamentos. Conformei me com a situação limitativa da doença, pensando que já estava eu muito bem, tendo em conta o que já havida passado. Havida vivido situações tao dolorosamente intensas que, “viver” assim seria o melhor que conseguiria. Por vezes, ficava deveras deprimida com a situação e isso roubava-se a alegria, tornava-me irritadiça e escurecia-me. O facto de me levantar e deitar com dores físicas, provoca-me dores psicológicas e espirituais bem mais angustiantes, muito mais incapacitantes.

Até que, finalmente, decidi iniciar o caminho do Reiki e iniciei o nível I do curso com a minha querida mestre Sílvia Oliveira.

Logo nas primeiras sessões percebi que estava em casa. Cada palavra, cada sensação me faziam perceber que era ali que eu deveria estar.

Iniciei o autotratamento e não foi fácil. Por muitas vezes me senti mal. Angustiada, confusa, triste, ansiosa, inquietada, nervosa…. Estava a mexer comigo, com dores antigas que eu pensei estarem curadas, mas que, na verdade, apenas passaram por uma fase anestésica. Apeteceu-me desistir. Supostamente eu estava no Reiki para ser feliz, para descobrir a arte de ser feliz, e não para passar por tais situações. Mas não o fiz. Insisti em enfrentar o mais difícil que pode existir de encarar e que nem nos apercebemos, enfrentar o nosso interior. Aceitar o que somos, tocar nas feridas da alma, basculhar as dores do coração, encontrarmo-nos, perdoarmo-nos, enfrentar os nossos defeitos, admitir as nossas fraquezas, aprender a amarmo-nos. Aprender a sentir o Bem.

Com a continuação da prática do Reiki, comecei a mudar. Aos poucos fui-me apercebendo de pequenas grandes mudanças nas minhas atitudes. Aos poucos fui sentindo a leveza do ser, a grandeza do universo, o poder da mente, a força das energias, a maravilha do Reiki.

Aos poucos curei a minha alma, limpei o meu coração, encontrei-me e, quase que por magia, a minha saúde física floresceu. O segundo nível do Reiki deu-me a oportunidade de renascer. De voltar a sentir intensamente a magia da vida, a praticar a gratidão, a acreditar em mim, a alimentar o Bem independentemente de todo o mal que me circunda. A sorrir perante a escuridão, a entender a nossa real essência, a tentar fazê-la submergir num mundo tão submerso em maldades e vazios, a encontrar a Paz. O Reiki ajudou-me e continua a ajudar-me a perceber o meu propósito, a alimentar a minha alma com os pequenos pormenores. A abraçar com sentimento, a proteger-me da poluição de sentimentos, a procurar o melhor de mim, a dar o melhor de mim, a descobrir o melhor dos outros… O Reiki mostrou-me a arte da felicidade…porque na verdade, tudo é diferente se nós estivermos bem… O Reiki faz-nos olhar com a alma e agir com o coração…. Ajuda-nos a ver o melhor que cada um de nós tem… E quando me apercebi, as dores físicas tinham desaparecido… o cansaço desvaneceu, a medicação foi reduzida, a periocidade das consultas alargada. Quando dei por mim, a doença grave e incapacitante que tinha/tenho estava controlada como nunca antes, os resultados das análises melhores do que nunca…

O Reiki ajudou-me e continua a ajudar-me a viver no verdadeiro sentido da palavra.

Continuo no nível III e sinto-me realmente feliz, leve e protegida. O caminho continua porque como qualquer outra arte, também a arte da felicidade exige prática… E nem sempre é fácil…. Somos constantemente obrigados a lidar com diferentes energias e sentimentos, com pessoas tóxicas, com situações menos fáceis. E como é óbvio é difícil lidar com o que nos acontece de menos bom na vida. Mas também aqui o Reiki nos ajuda. Percebemos que em cada situação que vivenciamos, em cada pessoa que conhecemos existe um propósito: o propósito de evoluirmos, o propósito de aprendermos ou ensinarmos, o propósito de encarar cada situação como uma oportunidade, o propósito de nos desafiarmos, de tentar, de forma, descomprometida e desinteressada, responder ao mal com o Bem, ao ódio com o Amor, à  ranzinzice com um Sorriso, à tristeza com esperança, ao sofrimento com aceitação, à inveja com generosidade…

Quando conseguimos tratar a alma, o corpo agradece e, consequentemente, as doenças físicas melhoram. O Reiki é o caminho e eu continuarei neste Lindo e Maravilhoso caminho.

Vera Soares